
Peço licença a você, meu filhão amado, mas eu precisava deixar uma mensagem aqui neste blog, pois esta é uma mensagem sobre o que você e seu mano Pedro fizeram e fazem desta mulher que aqui escreve... enfim, é uma mensagem sobre a maternidade. Eu tenho pensado muito sobre a maternidade, sobre o que a maternidade é capaz de fazer com uma mulher e sobre o que esta fez especificamente comigo. Uma das razões que movem estas divagações é óbvia, o nascimento do Pedro, mas a outra nem tanto... a partida do meu pai, do vovô Chicão, quando eu estava com o Pedroca dentro daquele barrigão enorme. A maternidade tem me feito entender melhor muitas coisas da minha vida. Tem feito com que eu me compreenda melhor, com que eu me conheça melhor, com que eu compreenda um pouquinho melhor o processo de crescimento do João, assim como com que eu compreenda melhor a nossa relação de mãe e filho. Essa oportunidade maravilhosa de gerar, nutrir e ver crescer um bebê é muito poderosa. E isso não é novidade nenhuma... qualquer mamãe é testemunha disso. Mas o nascimento do Pedro fez com que eu entendesse que, de certa forma, eu nasci mãe. (Tenho me lembrado muito da minha amiga Rosinha quando penso nisso, pois muitas vezes ela me pediu que tirasse meu instinto maternal de cima dela e ela tinha toda razão!!!). Eu sou um ser maternal, em todas as minhas relações. Tenho tendência a “cuidar”, ou a “querer cuidar”... e isso acontece em todas as minhas relações, até mesmo na minha relação com minha própria mãe (pergunte a ela quantas vezes eu já pedi que ela tomasse cuidado ao atravessar a rua!), com meu irmão, amigos, e até mesmo nas minhas poucas relações de trabalho. É claro, portanto, que esse instinto que me move e permeia minha mente e meu coração, teve um papel fundamental no estabelecimento da minha relação com meu filho mais velho. Mas é também infinitamente claro para mim, agora, que, não fosse João este ser absolutamente sensível, amoroso e inteligente, nossa dupla não teria feito tamanho sucesso. João me ensinou e me ensina muito, sempre, com toda sutileza de alguém que é capaz de amar com doação, amar incondicionalmente, amar, e ponto. Assim é seu amor por seu mano Pedro, por seu pequeno bebê. E foi assim, com esse jeitinho, que ele conquistou o coração do meu pai e ocupou o lugar de neto número um. Aquele que o vovô pôde conhecer em vida. Foi exatamente assim que João arrancou o último sorriso visto no rosto do vovô, pelo menos aqui, neste plano. João, sabiamente me disse, na noite que antecedeu a cirurgia do vovô Chicão, que eu não me preocupasse, pois tudo daria certo. E durante algum tempo, eu achei que ele tinha errado e com os olhos cegos pelas dolorosas lágrimas da saudade, não consegui ver a beleza de sua previsão. E nem ele, eu imagino, com toda sua inocência, conseguiu ver a beleza daquelas palavrinhas. Mas hoje de manhã, enquanto eu dava mama para Pedro e pensava em tudo o que aconteceu, enquanto eu observava os traços e até os trejeitos do meu velhinho no rosto do meu pequeno, eu pude compreender que ele estava absolutamente certo. E pude ver o tamanho da bênção que eu recebi tendo meu filho no ventre quando meu pai partiu. Não que a saudade tenha diminuído, não que a dor da perda tenha sido arrefecida, mas a alegria de sentir pulsar o amor maior, o amor de mãe, mesmo em face desta dor imensa, me fez perceber que tudo realmente dará certo. Hoje, agradeço a Deus, ao Universo, não por ter perdido aquele que é o exemplo maior, mas por tê-lo ganhado, por tê-lo tão presente em meu coração. Talvez até mais agora. E estou certa que meu pai, onde estiver, está mais uma vez orgulhoso de sua filha.
Fernanda,
ResponderExcluirSe tem uma coisa que eu tenho certeza é do orgulho que teu pai tinha de ti. Eu sempre achei o João um ser especial, como se tivesse uma predestinação. Mesmo quando tudo parecia errado, ele fazia as coisas darem certo. Eu sempre digo que ele foi a nossa luz na escuridão. Por ele foi necessário reconstruir e permitir que a vida fluísse novamente, e se não fosse por isso talvez CB não pudesse ver a nova chance de ser feliz, quando te conheceu. Agora Deus mais uma vez, escreveu certo por linhas tortas. Te deu uma alegria que seria gerada dentro de ti, que te obrigaria a seguir em frente, quando tua âncora partiu o cabo. Deus te deu um pequeno farol, e te obrigou a navegar até ele, mesmo diante das águas revoltas de tuas lágrimas. A gente nasce para o que é: tu nasceste para ser mãe. Tenho certeza que teu pai sempre soube disso e que realizou o sonho de ver-te desempenhar o seu maior papel com o João e que de onde ele estiver, pode ver-te continuar distribuindo todo o amor que ele e tua mãe dedicaram a ti e teu irmão. Acho que esse amor é o grande legado dele. Cuide-se porque eles precisam de seus cuidados.
Beijo Grande
Rubiane
Minha Querida,
ResponderExcluirSem duvida nenhuma, um dos grandes presentes que ganhei através do João foi sua presença em minha vida. Você é uma mulher sem igual, ímpar em sua inteligência, sensibilidade e integridade, que me enche de admiração e orgulho. Muito obrigada por suas belas palavras.
Um beijo no coração
Fe
Seria tudo muito simples se não fosse tão complexo, né? Sentimentos não são lineares e, se por um lado alguns acontecimentos e seus frutos nos motivam, por outro descobrimos que absolutamente ninguém é substituível e que, pra nem tudo, há explicação. Há um Deus (espero eu) por trás de tudo e é nisso que muita gente se apega pra seguir adiante, só nisso. É por meio da dor que a gente evolui, compreende muita coisa, mas o caminho tá bem longe de ser gostoso. De todas as formas, pelo que conheci do seu pai, me parecia uma criatura equilibrada, gentil e doce. Certamente está feliz te observando à distância.
ResponderExcluirBeijo e abraço forte em João e Pedro